Dívida Pública do Brasil rompe barreira histórica e atinge R$ 10 trilhões em novembro

        A DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) subiu de 78,4% do PIB (Produto Interno Bruto) em outubro para 79,0% em novembro, totalizando R$ 10 trilhões. Os dados foram divulgados pelo BC (Banco Central) no relatório de estatísticas fiscais desta terça-feira (30/dezembro).

        No governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a dívida bruta aumentou 7,3 pontos percentuais, e a mediana das projeções dos agentes financeiros indica que a relação dívida-PIB deve chegar a 79,5% ao final de 2025. A DBGG engloba o governo federal, o INSS e os governos estaduais e municipais.

        O aumento de 0,6 ponto percentual no mês decorreu principalmente de gastos com juros da dívida (0,7 p.p.) e emissões líquidas de dívida (0,4 p.p.), compensados parcialmente pelo reconhecimento de dívidas (-0,2 p.p.), crescimento do PIB nominal (-5,2 p.p.), valorização cambial (-0,6 p.p.) e ajustes de dívida externa (-0,2 p.p.). No acumulado de janeiro a novembro, a DBGG subiu 2,8 pontos percentuais do PIB, com impactos semelhantes.

        Em novembro, o setor público consolidado gastou R$ 87,2 bilhões com juros da dívida pública, valor inferior ao registrado no mesmo mês de 2024, quando o gasto foi de R$ 92,5 bilhões. No acumulado de 12 meses, a despesa com juros totalizou R$ 981,9 bilhões, equivalentes a 7,77% do PIB, contra 7,83% do PIB no ano anterior.

        O resultado nominal, que inclui os gastos com a dívida pública, registrou déficit de R$ 101,6 bilhões em novembro e de R$ 1,027 trilhão nos últimos 12 meses, o equivalente a 8,13% do PIB. O déficit primário — que mede se o governo gastou mais do que arrecadou sem considerar juros — evidencia que o endividamento ocorre mesmo antes do pagamento dos encargos da dívida.

        “No ano, a DBGG elevou-se 2,8 pontos percentuais do PIB, em função, principalmente, da incorporação de juros nominais, das emissões líquidas de dívida, do reconhecimento de dívidas, do crescimento do PIB nominal, do efeito da valorização cambial e dos demais ajustes da dívida externa”, afirmou o BC.

        A DLSP (Dívida Líquida do Setor Público) alcançou 65,2% do PIB (R$ 8,2 trilhões) em novembro, alta de 0,5 ponto percentual no mês. Segundo o BC, o aumento refletiu o impacto dos juros nominais, do déficit primário, da valorização cambial de 3,1% no mês e da variação do PIB nominal. No acumulado do ano, a DLSP avançou 3,9 pontos percentuais do PIB.

(Fonte: Gazeta Brasil)