Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia revoluciona o tratamento e exige preparo dos remédios e exige preparo dos médicos

      No Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, celebrado nesta quarta-feira (26/março), uma nova fronteira da medicina ganha destaque: o uso da inteligência artificial para prever crises epilépticas e transformar o tratamento da doença. A tecnologia, que já começa a ser aplicada em centros de pesquisa internacionais, aponta para um futuro que já começou.

         Estudos recentes mostram que dispositivos implantáveis, aliados a algoritmos de inteligência artificial, são capazes de monitorar continuamente a atividade cerebral e identificar padrões que antecedem as crises. “Essa leitura em tempo real permite não apenas maior precisão no diagnóstico, mas também intervenções mais rápidas e personalizadas”, afirma o Prof. Dr. Fábio de Nazaré Oliveira (foto), neurologista e docente da Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto).

        O especialista, que também é coordenador do Ambulatório de Transtornos do Movimento da FAMERP/Funfarme, explica que a epilepsia afeta cerca de 50 milhões de pessoas no mundo e que aproximadamente 30% dos pacientes não respondem adequadamente aos medicamentos. “Mais de um terço dos pacientes continua apresentando crises mesmo com tratamento convencional, o que reforça a necessidade de novas abordagens terapêuticas”, observa.

         De acordo com o docente, uma das inovações mais promissoras combina estimulação cerebral profunda com monitoramento contínuo por inteligência artificial. Na prática, sensores implantados captam sinais elétricos do cérebro e enviam dados para sistemas em nuvem, onde algoritmos analisam padrões de atividade neural e comportamento do paciente. Isso permite detectar crises com mais precisão do que os registros tradicionais feitos pelos próprios pacientes (muitas vezes imprecisos) e ajustar o tratamento em tempo real.

         Além da redução das crises, os estudos também indicam benefícios adicionais, como melhora na memória e no sono, aspectos frequentemente comprometidos em pessoas com epilepsia. “Os dados mostram que a neuromodulação associada à IA pode atuar de forma mais ampla, impactando diferentes funções cerebrais”, afirma.

         Para o Prof. Dr. Fábio Nazaré, o avanço é significativo e muda a forma como a medicina deve se preparar para o futuro. “A inteligência artificial está trazendo uma nova lógica para o tratamento das doenças neurológicas. Hoje, conseguimos não só tratar, mas antecipar eventos como as crises epilépticas. Isso muda completamente o cuidado com o paciente.”

         Segundo ele, o papel do médico também está em transformação. “O profissional de saúde precisa estar preparado para trabalhar com essas novas tecnologias. Não é mais uma possibilidade distante: é uma realidade. O futuro da medicina já chegou, e quem não se atualizar corre o risco de ficar para trás”, alerta Dr Fábio.

        O especialista destaca ainda que a integração entre neurociência, engenharia e ciência de dados abre caminho para tratamentos cada vez mais individualizados. “Estamos caminhando para uma medicina de precisão, em que cada paciente terá um tratamento ajustado ao seu padrão cerebral. Isso representa um ganho enorme em qualidade de vida”, diz.

Simpósio

          Além dos avanços tecnológicos, a capacitação dos profissionais também está no centro das discussões. Em maio, a FAMERP e a Funfarme promovem o 5º Simpósio de Epilepsia, que reunirá especialistas para discutir o que há de mais recente no diagnóstico e tratamento da doença.

        O evento será realizado nos dias 1º e 02/maio, no Centro de Convenções da FAMERP, e também celebra os 25 anos do Cecep (Centro de Cirurgia de Epilepsia) do Hospital de Base, que é referência regional que já realizou mais de 1.200 cirurgias e transformou a vida de milhares de pacientes.

        A programação inclui temas como epilepsias em crianças e adultos, avanços diagnósticos, tratamentos clínicos e opções cirúrgicas, reforçando a importância da atualização constante diante de um cenário de rápidas transformações.
(Fonte: Famerp)