Venda de dados de mortos: operação em SP mira policial e servidor que vazavam informações para funerárias

        Uma ação conjunta entre a Corregedoria Geral da Polícia Civil e a CGM (Controladoria Geral do Município) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (29/novembro), a segunda fase da Operação Luctus. A investigação apura um esquema ilegal de vazamento e comercialização de dados sigilosos de óbitos recentes para empresas funerárias na Grande São Paulo.

        Ao todo, os agentes cumprem 21 mandados de busca e apreensão na capital paulista e nos municípios de Embu das Artes, Taboão da Serra, Cotia e Diadema. Não há mandados de prisão expedidos nesta etapa do processo.

        Entre os alvos da operação estão um policial civil lotado no Denarc, um servidor da SP Regula (agência municipal encarregada de fiscalizar as concessões funerárias) e empresários do setor.

Como funcionava o esquema de vazamento de dados

        De acordo com as investigações, informações confidenciais sobre mortes eram interceptadas ilegalmente em hospitais privados, no IML (Instituto Médico Legal) e no SVO (Serviço de Verificação de Óbitos).

        Os dados eram repassados a empresas funerárias parceiras, que abordavam os familiares das vítimas no momento de luto e vulnerabilidade emocional. Com essa vantagem indevida na captação de clientes, as empresas ofereciam serviços com preços superfaturados em relação à média de mercado.

        Uma das empresas investigadas é a Velar, concessionária privada responsável pela prestação de serviços funerários na capital paulista.

        Quebra de sigilo e indícios de lavagem de dinheiro

A Justiça autorizou a quebra do sigilo telefônico dos envolvidos para rastrear o fluxo de mensagens e identificar a rede de contatos que facilitava a captura das informações. Além do vazamento de dados, as autoridades identificaram indícios de:

– Movimentações financeiras incompatíveis: Valores movimentados acima da renda declarada pelos investigados.

– Ocultação patrimonial: Suspeita de maquiagem de bens para esconder valores obtidos com a venda das informações.

        Desde 2023, o serviço funerário de São Paulo é operado por concessionárias privadas sob supervisão da SP Regula. Em nota conjunta, a Polícia Civil e a Prefeitura reafirmaram o compromisso com a apuração rigorosa e o aprimoramento dos mecanismos de integridade na administração pública.

(Fonte: Gazeta Brasil)