Cientistas realizam primeiro transplante de fígado de porco em humano

        Pela primeira vez na história, um fígado de porco foi transplantado em um ser humano vivo, marcando um avanço significativo na área de transplantes de órgãos. O procedimento foi realizado por cientistas da Quarta Universidade Médica Militar da China. Embora transplantes de coração e rim de porcos já tenham sido bem-sucedidos, os fígados, por sua maior complexidade, ainda apresentavam desafios.

        De acordo com o jornal The Sun, o porco utilizado teve seus genes editados geneticamente para minimizar a chance de rejeição pelo sistema imunológico humano.

        No experimento, o tecido hepático foi transplantado em uma pessoa clinicamente morta. Durante os 10 dias do estudo, o órgão funcionou normalmente sem sinais de rejeição, até o encerramento do experimento, solicitado pela família do paciente.

Esperança para pacientes com falha hepática 

        Transplantes continuam sendo a principal solução para insuficiência hepática. No entanto, a escassez de doadores faz com que muitos pacientes esperem meses ou até anos.

        No Reino Unido, dados de 2024 indicam que mais de 800 pessoas estavam nas listas de espera do NHS, sendo que um terço enfrentava um período superior a dois anos para a cirurgia.

       Especialistas consideram os órgãos de porcos uma alternativa temporária promissora enquanto os pacientes aguardam doadores humanos. Esses órgãos são semelhantes em tamanho e genética aos humanos, mas precisam passar por edição genética para reduzir a rejeição imunológica.

        O fígado de porco, por ser menor, pode ser implantado sem necessidade de remover o órgão humano doente, funcionando de forma complementar.

Resultados do estudo 

        O estudo chinês apresentou um avanço significativo na viabilidade dos xenotransplantes. O autor principal, Professor Lin Wang, destacou: “O fígado coletado do porco modificado funcionou muito bem no corpo humano. É uma grande conquista. Esta cirurgia foi realmente bem-sucedida”, frisou o professor Lin.

        Ele também explicou que o transplante hepático auxiliar pode servir como uma “terapia de ponte” ideal para pacientes, facilitando sua recuperação enquanto aguardam um fígado humano ou quando a função hepática original é restaurada.

        Os resultados foram publicados na revista científica Nature, reforçando a importância do experimento para entender como o transplante de fígado de porco pode contribuir com novas opções terapêuticas.

Comentários de especialistas internacionais 

        O Professor Peter Friend, da Universidade de Oxford, que não participou do estudo, elogiou o experimento: “Este é um estudo importante que avança na área. As modificações genéticas são similares às usadas em recentes transplantes de coração e rim. Embora os dados ainda sejam preliminares, o experimento demonstra que o fígado modificado pode evitar a rejeição imunológica”, comentou professor Peter.

        Rafael Matesanz, da Organização Nacional de Transplantes da Espanha, também destacou o impacto da pesquisa: “Este é um experimento importante que abre um caminho diferente do que foi tentado até agora”, destacou Rafael.

Caminhos futuros 

        Apesar dos avanços, os cientistas reconhecem que mais estudos são necessários para compreender o impacto a longo prazo e o potencial dos transplantes de órgãos de porcos em pacientes humanos. A pesquisa também reacende o debate sobre o papel da vacinação contra rejeição e edição genética em tratamentos futuros.

        Com base nesses resultados, o transplante de fígado de porco pode se tornar uma alternativa de curto prazo em situações críticas, proporcionando esperança a milhares de pacientes com insuficiência hepática em todo o mundo.

(Fonte: Gazeta Brasil)