Clínica é denunciada de maus-tratos e cárcere privado em Engenheiro Schmitt

        Uma clínica clandestina foi fechada na tarde desta segunda-feira (31/março), na Estância Morada Campestre, no distrito de Engenheiro Schmitt. O local recebia pagamento para o tratamento de dependentes químicos, mas estava sob alvo de denúncias de maus-tratos e cárcere privado há cerca de um ano.

 
        Segundo informações do boletim de ocorrência, as denúncias chegaram até a Promotoria e, nesta segunda-feira, o promotor Sergio Clementino conduziu a denúncia e esteve no local, juntamente com alguns membros da GCM e da Vigilância Sanitária.

       De acordo com o registro, desde o ano de 2023 a clínica é alvo de denúncias e foi instaurado inquérito e o estabelecimento interditado administrativamente pela Vigilância Sanitária de Rio Preto, mas continuou funcionando indevidamente.

        As denúncias de maus-tratos, bem como de cárcere privado, continuaram sendo recepcionadas pela Promotoria e, desta forma, a Promotoria ingressou com ação civil pública para o fechamento da clínica e obteve decisão judicial favorável.

        Consta no boletim que quando a equipe chegou na referida clínica foi recebida por um funcionário que entrou em contato com a proprietária que autorizou a entrada e que, durante a operação, vários internos relataram estarem sofrendo maus-tratos bem como cárcere privado. Alguns ainda mencionaram que foram capturados e outros ingressaram voluntariamente, mas todos estavam mantidos no local sem possibilidade de saída.

        Também foram acrescidos relatos de que os internos tinham que realizar a própria limpeza do local, cozinhar e lavarem suas próprias roupas, além do impedimento de saírem do espaço, sendo vigiados e proibidos por um segurança – que não estava presente por motivo de folga. Os denunciantes ainda afirmavam que caso algum interno tentasse sair era impedido e agredido por ele.

        De acordo com o BO, os internos disseram que a proprietária da clínica dava total autorização ao segurança para que, além de vigiá-los, também fossem agredidos pelo segurança com golpes “mata leão”. Os internos também relataram que tinham muitas dificuldades para estabelecer contato com as famílias. Assim como a proprietária mantinha guardado os documentos pessoais dos internos.

        Dois internos disseram que há bastante tempo não conseguia falar com suas respectivas mães e sempre eram coagidos com ameaças e agressões por parte do segurança.

        O promotor também solicitou os aparelhos e documentos dos internos, na administração da clínica; momento que foi constatado que a proprietária retirou de uma gaveta alguns telefones celulares e documentos dos internos que estavam acondicionados em plásticos e identificados com os nomes de cada interno, confirmando assim que realmente os aparelhos ficaram retidos pela responsável do lugar.

        A proprietária recebeu voz de prisão por maus-tratos e cárcere privado.

        Dr Clementino ainda ressaltou que estão providenciando a liberação dos internos e que a clínica será definitivamente fechada e o inquérito continuará junto à Promotoria.

 
        Vídeos de alguns internos foram gravados e anexados no processo onde eles relatam as violações sofridas. Um dos internos contou que entrou na clínica voluntariamente, mas após isso foi proibido de sair e teve a comunicação com os familiares restringida. 

        Além disso, diversos internos disseram que eram obrigados a tomar “danone” – uma mistura de remédios que os deixavam dopados – sendo todas as ameaças e violências por parte do segurança com o conhecimento e aval da proprietária.

        A proprietária foi interrogada e, na presença de um advogado, disse que a clínica estava na pendência de regularização como comunidade terapêutica, declarando desconhecer as alegações do condutor, testemunhas e das vítimas, informando que entrava em contato com os familiares dos internos quando havia a manifestação de vontade de saída da mesma e que o segurança era monitor das atividades dos internos e não teria agido com força física ou psicológica contra os internos.

        Com base nos depoimentos e testemunhas, a proprietária foi indiciada em flagrante delito e responderá por maus-tratos e cárcere privado. Ela teve a prisão em flagrante convertida em preventiva e foi encaminhada à carceragem da Delegacia Seccional de Rio Preto onde aguardará audiência de custódia.

(Fonte: Jornal Dhoje Interior/Daniela Manzani)