Imigrantes venezuelanos no interior de SP celebram prisão de Maduro pelos EUA e falam em ‘começo do fim da ditadura’
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado na madrugada de sábado (03/janeiro) em uma operação militar dos Estados Unidos. A prisão gerou esperança entre imigrantes venezuelanos na região deSão José do Rio Preto (SP), que veem o fato como o “começo do fim” da ditadura. Eles também se dizem apreensivos diante do clima de tensão e incerteza no país em que vivem seus familiares.
Em São José do Rio Preto, metade dos estrangeiros atendidos pela prefeitura é formada por venezuelanos. Em 2025, a Secretaria de Desenvolvimento Social deve oferecer suporte a 550 imigrantes, número 9,5% maior que o registrado em 2024, segundo dados do Cadastro Único (CadÚnico).
Entre os imigrantes está o casal Jorge Antônio Rodríguez e Jadriana Josefina de Rodríguez. Eles deixaram a Venezuela em 2020, fugindo da crise política, social e econômica. Vieram com os filhos e um sobrinho para recomeçar a vida em Rio Preto.
Atualmente, Jorge trabalha em uma indústria metalúrgica e Jadriana é babá. Em entrevista à TV TEM, Jorge disse que recebeu a notícia da captura de Maduro durante a madrugada, quando a esposa o acordou falando sobre explosões em Caracas. Ele contou que a reação foi de forte emoção, após anos de espera.
“Ficamos emocionados, porque já eram muitos anos de sofrimento, de espera. Acreditamos que todos os venezuelanos estão ansiosos com o que aconteceu. Temos muita alegria no coração, porque consideramos que a prisão de Maduro significa, para Venezuela, o começo do fim da ditadura” celebra Jorge.
Apesar da alegria, o casal afirma que há clima de medo e insegurança na Venezuela. Eles relatam dificuldade para falar com familiares por causa da instabilidade da internet e restrições nas comunicações.
Sergimary Del Carmen Molina, formada em engenharia de petróleo, deixou a Venezuela há sete anos em busca de uma vida melhor no Brasil. Hoje, mora em Catanduva (SP), trabalha como açougueira e disse ter recebido com alívio a notícia da captura.
“São anos esperando essa notícia de liberdade para o nosso país. Não tem condições de viver lá, de trabalhar. O meu sonho é um país livre, democrático. Só a gente sabe o que está sentindo, essa emoção”, comenta Sergimary.
Segundo ela, a saída de Maduro reacende a esperança de milhões de venezuelanos no mundo. Mas ainda há preocupação com quem ficou no país, como sua mãe, que não se adaptou ao Brasil e voltou para a Venezuela.
Mesmo assim, Sergimary acredita que a retirada de Maduro da cena política pode abrir caminho para mudanças. “Levaram embora um ditador, mas agora vem a transição. Está um clima tenso no país, as pessoas com medo da repressão”, reflete a mulher.
Após a captura, Nicolás Maduro foi levado para os Estados Unidos, onde enfrenta acusações de narcotráfico e posse de armas e explosivos. Ele se declarou inocente em audiência em Nova Iorque. Em Caracas, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o cargo de forma interina, em meio a discussões sobre a legalidade da operação.
(Fonte: G1 São José do Rio Preto e Araçatuba)












