Pior marca em 24 anos: Estatais federais registram rombo recorde de R$ 4,2 bilhões

        As estatais federais brasileiras registraram um déficit de R$ 4,2 bilhões no primeiro bimestre de 2026, o maior já registrado para o período desde o início da série histórica, em 2002. O resultado representa um aumento de 320,4% em comparação com o mesmo intervalo do ano passado.

        Os dados foram divulgados nesta terça-feira (31/março) pelo Banco Central, no relatório de Estatísticas Fiscais. O levantamento considera apenas empresas estatais não financeiras e exclui instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES e Petrobras.

       O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos criticou a metodologia utilizada pelo Banco Central, afirmando que os números não refletem de forma completa a saúde financeira das empresas. Segundo o governo, o indicador não detalha aspectos contábeis importantes, como receitas, custos, ativos e lucros.

        De acordo com dados apresentados pela equipe econômica, as estatais registraram lucro de R$ 136,3 bilhões entre janeiro e setembro/2025. Desconsiderando bancos públicos e a Petrobras, o lucro líquido das demais empresas foi de R$ 5,2 bilhões no período.

        Apesar das divergências, o indicador do Banco Central é considerado relevante por medir o impacto das estatais nas contas públicas. Quando há necessidade de financiamento, o Tesouro Nacional pode precisar cobrir os déficits com aumento da dívida ou uso de recursos arrecadados por impostos.

        Um dos principais exemplos é o caso dos Correios, que enfrentam dificuldades financeiras. A estatal registrou prejuízo de R$ 6,1 bilhões até setembro/2025 e pode ter encerrado o ano com perdas ainda maiores.

        Para tentar reverter o cenário, os Correios anunciaram um plano de recuperação que prevê ganho de R$ 7,4 bilhões por ano. As medidas incluem corte de custos, com redução de cerca de 15 mil funcionários e fechamento de mil unidades, além de aumento de receitas.

        Em dezembro, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro Nacional para quitar dívidas e reforçar o caixa. Ainda assim, a direção da estatal indicou a necessidade de mais R$ 8 bilhões em 2026 para enfrentar a crise, seja por novos empréstimos ou aportes públicos.

        O desempenho das estatais segue no radar do governo e do mercado, especialmente por seu impacto direto na política fiscal e no equilíbrio das contas públicas.

(Fonte: Gazeta Brasil)