Victor Willis, vocalista e cofundador do Village People, morre aos 74 anos
Victor Willis, vocalista principal e cofundador do grupo Village People, faleceu na última segunda-feira (30/junho) aos 74 anos, um dia antes de celebrar seu 75º aniversário. A informação sobre a morte do artista foi confirmada pela banda em um comunicado oficial publicado em sua página no Facebook.
“Victor faleceu na segunda-feira, 30 de junho de 2026, devido a uma doença curta, mas agressiva. Pedimos privacidade”, diz a nota. A família, por meio da esposa do cantor, Karen, também pediu respeito neste momento de luto. Até o momento, detalhes sobre o velório ou declarações adicionais dos representantes da banda não foram divulgados.
Trajetória e o fenômeno Village People
Nascido no Texas e criado em São Francisco, Willis forjou sua voz na igreja batista dirigida por seu pai. Sua formação incluiu estudos de atuação e dança, o que o levou a se integrar ao mundo do espetáculo em Nova York, onde participou de produções teatrais proeminentes, como o musical The Wiz, na Broadway.
O ponto de virada na carreira do artista ocorreu quando o produtor francês Jacques Morali lhe propôs liderar um projeto musical ousado: combinar personagens masculinos arquetípicos e ritmos da disco music. Assim, Willis tornou-se a voz e o rosto mais visíveis do Village People, agregando seu fervor gospel e capacidade cênica a um formato que rapidamente conquistou o mundo.
Willis era o único músico profissional entre os integrantes originais, o que lhe permitiu imprimir uma forte marca pessoal aos temas mais emblemáticos do grupo. Ele deixou a banda em 1980, antes do lançamento do filme Can’t Stop the Music, embora tenha contribuído com letras para duas canções da trilha.
Após um breve retorno em 1983 e anos de disputas legais por direitos autorais, ele recuperou o controle sobre sua obra e voltou a liderar a formação em 2017.
Sucessos e legado musical
Como coautor, Willis esteve por trás dos maiores sucessos do Village People, incluindo “Y.M.C.A.”, “Macho Man”, “In the Navy” e “Go West”. Lançadas no final dos anos 1970, essas canções levaram o grupo ao topo das paradas internacionais: “Y.M.C.A.” alcançou o 2º lugar no Billboard Hot 100, enquanto “In the Navy” chegou à 3ª posição.
“Y.M.C.A.”, em particular, tornou-se um fenômeno cultural atemporal, indispensável em celebrações, casamentos e karaokês ao redor do globo. O impacto da faixa foi tão expressivo que, em 2020, ela foi incorporada ao Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e, no ano seguinte, incluída no Hall da Fama do Grammy.
Controvérsias e posicionamento político
Nos últimos anos, Willis protagonizou debates acalorados relacionados à interpretação de “Y.M.C.A.”. Em 2024, ele ameaçou tomar medidas legais contra veículos de comunicação que descreviam a canção estritamente como um “hino gay”. O cantor esclareceu que não se incomodava com a adoção da música pela comunidade LGBTQIA+, mas exigia rigor jornalístico ao afirmar que, quando escreveu a letra, focava na vivência de jovens urbanos e não tinha conhecimento de atividades homossexuais nas sedes da associação de jovens cristãos (YMCA).
O vínculo do grupo com o cenário político também se intensificou recentemente devido ao uso de suas músicas por Donald Trump. O político utilizou repetidamente canções da banda em seus comícios. Em janeiro/2025, durante a segunda posse de Trump, Willis explicou que a execução das faixas não constituía um endosso político.
“A música deve ser compartilhada em todo o espectro político e não reservada para um único sector”, escreveu em suas redes sociais.
Na ocasião, Willis já figurava como o único integrante original que ainda se apresentava sob o nome de Village People.
Últimos anos e turnês
Antes de seu falecimento, Willis e a banda haviam concluído a primeira etapa de uma turnê europeia e viajaram para Nova Déli, na Índia, para participar das celebrações do 250º aniversário dos Estados Unidos.
Em maio/2026, o vocalista mencionou em seu perfil pessoal que o grupo havia interpretado “Y.M.C.A.” para o secretário de Estado Marco Rubio em comemoração ao seu aniversário.
A última fase de sua vida foi marcada por um renovado contato com o público internacional e pela consolidação definitiva de seu legado musical, após resolver as disputas do passado e retomar a liderança efetiva do grupo.
(Fonte: Gazeta Brasil)









