Colecionadores e curiosos resgatam discos de vinil em Rio Preto
O disco de vinil popularmente chamado de LP (long play), que dominou o mercado da música na década de 1990 até o surgimento do CD, vive um resgate nos últimos anos, nutrido pelo sentimento de nostalgia. Em São José do Rio Preto (SP), a paixão pelos “bolachões” reúne colecionadores, fãs e curiosos em eventos e sebos.
Em entrevista para o g1, o colecionador Flávio Henrique dos Santos, mais conhecido como DJ Taroba, revela que atualmente as pessoas querem ter a experiência de ouvir um disco de vinil por inteiro.
“O vinil tem esse poder de criar conexão com a música, com a história dos artistas e com a própria cultura musical”, ressalta Taroba.
Já a proprietária de um sebo em São José do Rio Preto, Simone Cristina Meloze, percebe que a procura pelos LPs cresceu principalmente nos anos de 2024 e 2025. “Faz uns dois anos que houve aumento na procura por discos”, conta Simone em entrevista à TV TEM.
José Carlos Meloze, dono do mesmo sebo, diz que muito dessa procura está relacionado à uma tradição familiar. “O jovem vai vendo o vô e o pai, que ouviam os discos antigamente e, hoje, chegam aqui e ficam alucinados de ver os discos novamente”, contou também em entrevista.
O sebo da empresária atrai garimpeiros em busca de títulos raros nas prateleiras, como o álbum “The Dark Side of the Moon”, da banda Pink Floyd, e também o disco “Dois”, da Legião Urbana.
Para o DJ Taroba, o uso do vinil já se tornou um hábito. O colecionador é ativista cultural e faz parte de um projeto de discotecagem voltado totalmente à cultura brasileira, chamado “DISCObrindo o Brasil em 100% vinil”.
Conforme ele, o movimento explora a riqueza e a variedade musical do país por meio dos discos.
Taroba é colecionador há 15 anos. À reportagem, ele disse que tem mais de três mil itens no acervo de discos, entre os LPs e os compactos (discos de vinil menores). “Comprei um toca-discos e passei a garimpar nos sebos da cidade. Eu ia comprando tudo que era disco”, conta o DJ.

Alguns desses itens, ele coloca à venda. Todavia, não abre mão de pelo menos 400 títulos que pertencem à sua coleção “personalíssima”. Alguns dos álbuns chegam a custar até R$ 5 mil devido à raridade e à baixa tiragem. “Muita gente quer ter uma vitrola em casa, reunir os amigos e viver a experiência de ouvir um disco do começo ao fim”, comenta.
Segundo ele, os gostos são bem variados, passando por diversos ritmos e títulos, e isso acaba abrindo portas para que cada pessoa descubra novos artistas e estilos musicais.
Esse processo também desperta pesquisa involuntária. “A pessoa começa comprando um disco que já conhece, depois passa a procurar álbuns relacionados, outros artistas e acaba se aprofundando cada vez mais no universo musical”, explica o colecionador.
O LP (Long Play) surgiu na década de 1940 nos Estados Unidos. No Brasil, foi lançado comercialmente por volta de 1951. Dominou o mercado até o final da década de 1990, quando se popularizou a venda do compact disc, o CD.
(Fonte: G1São José do Rio Preto e Araçatuba)









