HB capacita profissionais em Araçatuba para acolhimento familiar e captação de órgãos
A dor da perda de um ente querido é um dos momentos mais difíceis enfrentados por qualquer família. É em meio a esse luto e vulnerabilidade que um ato de generosidade pode salvar diversas outras vidas com a doação de órgãos. Com o objetivo de aumentar o número de famílias que dizem sim para a doação, o Hospital de Base, por meio de sua Organização de Procura de Órgãos, promoveram nesta sexta-feira (19/junho) e sábado (20/junho), o Curso de Determinação de Morte Encefálica e Comunicação em Situações Críticas, no UniSALESIANO em Araçatuba.
Essa excelência é fruto direto de uma década de treinamentos rigorosos, nos quais os programas de formação já capacitaram 312 médicos e 386 profissionais de equipes multidisciplinares, somando quase 700 especialistas que atuam em toda a região.
Para que a doação aconteça, a abordagem à família deve ser feita com extremo respeito, por isso o curso foca na humanização do processo e no acolhimento para amparar a família em meio à dor. O médico coordenador da Organização de Procura de Órgãos do Hospital de Base, Dr.João Fernando Picollo, explica a dinâmica de participação. “Hoje nesse treinamento estarão presentes médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. São todas pessoas que em algum momento vão ter contato com essa família desse paciente que eventualmente pode ser um doador de órgãos”, destaca. Ele ressalta que a maior dificuldade é o desconhecimento da vontade do paciente e orienta quem deseja ser doador. “O mais importante para quem quer ser doador é que avise seu familiar, porque eles sim é que vão poder autorizar esse desejo que você tem após a sua morte”, afirma o Dr. Picollo.
Sobre a etapa de acolhimento e entrevista com os parentes, a enfermeira líder da Organização de Procura de Órgãos do Hospital Santa Isabel de Blumenau, Aline Ghellere Pavei, detalha as atitudes essenciais. “O profissional de saúde precisa ter muito bem claro que ele é um profissional de ajuda. Existe três atitudes básicas que o profissional tem que ter para que ele possa ajudar a família. É o respeito, é ter empatia e ser autêntico, ser verdadeiro com a família, para que a família então entenda realmente o que tá acontecendo e possa colocá-la numa condição, então, de poder oferecer a doação”, explica a enfermeira. Aline também reforça o benefício que o ato de conversar em casa traz a todos. “Fale sobre a doação, deixe o seu desejo bem claro pra família, porque a gente sabe o benefício disso, de muitas pessoas que podem ser ajudadas”, acrescenta.
A eficácia da educação contínua dos profissionais de saúde é comprovada pela realidade de Santa Catarina, estado reconhecido pelo sucesso na área. O coordenador estadual de transplantes de Santa Catarina, Dr. Joel de Andrade, enfatiza essa premissa para que os transplantes ocorram. “Se os profissionais de saúde não conhecem o processo e não estão prontos para apresentar os argumentos para as famílias no momento da dor, o trabalho tende a não ter um resultado positivo”, aponta o coordenador. Ele relata como a priorização do treinamento mudou a realidade catarinense nos últimos anos. “Foi desenvolvendo essa ferramenta que nós saímos de 70% de não autorização familiar, que era os dados de 2007, e passamos pros 30% de não autorização familiar”, celebra o Dr. Joel.
Além da comunicação, o treinamento tem o papel fundamental de capacitar os médicos nas diretrizes éticas, legais e clínicas do diagnóstico de morte encefálica. Quanto mais profissionais estiverem aptos a diagnosticar o quadro de forma rápida, segura e precisa, mais órgãos podem ser mantidos viáveis para o transplante, o que significa reduzir o tempo de espera e aumentar exponencialmente o número de vidas salvas. O impacto dessa combinação fica evidente nos números atuais da Organização de Procura de Órgãos do Hospital de Base.
Hoje, em 2026, a região de São José do Rio Preto alcança expressivas 90,9 notificações de potenciais doadores por milhão de habitantes. A capilaridade desse treinamento regional também transforma a realidade de Araçatuba, que registra 94,8 notificações por milhão e possui uma taxa de doadores impulsionada por um crescimento histórico de 100% em relação a 2025. Na região da Grande São Paulo, as notificações chegam a 89,7 por milhão, evidenciando os excelentes resultados contínuos em prol da vida.
(Fonte: Funfarme)









