EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas após pedido de Flávio Bolsonaro

        O governo dos Estados Unidos assinou, nesta quinta-feira (28/maio), a classificação formal das duas maiores facções criminosas do Brasil, o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs).

        O anúncio foi feito pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e representa uma vitória política para o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

        Rubio assinou o documento na tarde dessa quinta-feira, e que a medida foi um “resultado direto” dos pedidos feitos por Flávio Bolsonaro ao presidente Donald Trump, ao vice-presidente JD Vance e ao próprio secretário de Estado durante as maratonas de reuniões que o senador cumpriu em Washington nos últimos dois dias.

        O silêncio de Lula e a suspensão da medida
A decisão de hoje enterra uma estratégia de contenção do Palácio do Planalto, que vinha atuando nos bastidores para travar a designação. Em março, o chanceler brasileiro Mauro Vieira chegou a telefonar para Marco Rubio em caráter emergencial para pedir que os EUA aguardassem a visita de Lula a Trump. A ideia era que uma cooperação em combate ao crime organizado poderia ser usada para barrar a medida.

No entanto, durante o encontro na Casa Branca, o presidente Lula não mencionou sua resistência à designação de PCC e CV, segundo sua própria coletiva de imprensa”.

Os riscos e a oposição do governo Lula
        A classificação como terrorista permite ao Tesouro dos EUA uma série de sanções severas. Isso inclui o poder de sancionar empresas, fundos e bancos que tenham qualquer tipo de ligação ou façam negócios com as facções. O governo Lula sempre foi contrário à medida, por dois motivos principais:

– Soberania Nacional: Havia o temor de que a designação pudesse dar respaldo legal para uma ação militar ou de inteligência dos EUA em solo brasileiro.

– Impacto Econômico: A medida pode assustar o mercado financeiro e causar apreensão em setores econômicos que, mesmo sem saber, possam ter algum tipo de relação indireta com os grupos ou suas empresas de fachada.

O modelo e os precedentes da medida
         O  modelo aplicado a PCC e CV segue a classificação usada pelos EUA para cartéis latino-americanos. A gestão de Donald Trump já havia aplicado a medida a grupos como o Cartel de Jalisco (México) e o Tren de Aragua (Venezuela). 

         No México, as designações provocaram sanções a pelo menos três instituições financeiras, causando um impacto econômico real. Na Venezuela, a medida serviu de justificativa pública para a remoção militar de Nicolás Maduro do comando do país.

(Fonte: Gazeta Brasil)