Ex-estagiário do MP, chefe de investigadores e ex-policial são presos por infiltração do PCC

         O Ministério Público de São Paulo deflagrou na manhã desta terça-feira (09/junho) a Operação Infiltrados, que resultou na prisão de um ex-estagiário da promotoria, um chefe de investigadores da Polícia Civil de Campinas e um ex-policial civil. Os três são suspeitos de integrar um esquema de infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no próprio Ministério Público, com planos que incluíam o assassinato de um promotor de Justiça do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas).

        Ao todo, a operação cumpriu 10 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária nas cidades de Campinas e Cardoso, interior de São Paulo. As investigações apontam que os suspeitos também estavam envolvidos em corrupção de agentes públicos, extorsões e violação de sigilo funcional.

Como agia o esquema

        Segundo o MP, o ex-estagiário – que hoje é advogado e trabalhava em uma promotoria criminal do MP de Campinas – é acusado de usar bancos de dados do Ministério Público para identificar criminosos e extorquir dinheiro deles em troca de suposta proteção nas investigações. Ele teria contado com a ajuda do policial penal e do ex-policial civil presos.

        O chefe de investigadores, que atuava na Dise (Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes) de Campinas, é suspeito de passar informações privilegiadas, mediante pagamento, a um criminoso investigado pela polícia. As apurações do Gaeco indicam que, uma semana antes da deflagração da Operação Pronta Resposta (que frustrou um plano de atentado contra um promotor), um dos principais acusados – responsável direto pela execução do plano – se reuniu com esse chefe de investigadores. Vídeos apreendidos mostram o encontro.

Desdobramento de operações anteriores

        A Operação Infiltrados é um desdobramento de duas operações deflagradas em 2025:

– Operação Pronta Resposta (agosto/2025): apurou a atuação de organização criminosa ligada ao PCC que planejava um atentado contra a vida do promotor de Justiça do Gaeco Amauri Silveira Filho. Os criminosos já haviam adquirido armamentos pesados e veículos para executar o ataque. O mandante dos crimes, segundo o MP, seria Sérgio Luiz de Freitas Filho, conhecido como “Mijão” ou “Xixi”, apontado como o número 1 do PCC nas ruas.

– Operação Off White (30/outubro/2025): realizada para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligado a dois dos traficantes mais procurados do Brasil, incluindo “Mijão”. A ação também prendeu o influenciador Eduardo Magrini, conhecido como ‘Diabo Loiro’, ex-padrasto do MC Ryan.

Extorsão dentro do próprio MP

        Em outro foco investigativo, o Gaeco descobriu que um dos principais membros da organização criminosa estava sendo vítima de extorsão praticada por um agente que se valia de informações privilegiadas. Após aprofundamento, os investigadores identificaram o responsável direto pela extorsão: o ex-estagiário do Ministério Público, que teria se infiltrado propositadamente em uma das promotorias criminais de Campinas para fins criminosos.

        Utilizando os bancos de dados e sistemas de pesquisa do MP, e contando com o auxílio de outros agentes públicos, o então estagiário teria identificado criminosos de alto poder econômico e extorquido dinheiro em troca de suposta proteção nas investigações. Entre esses outros agentes públicos estariam um policial penal e um ex-policial civil – este último já expulso da Polícia Civil anos atrás pelo crime de extorsão mediante sequestro.

        Segundo o MP, provas indicam que os atos de extorsão teriam sido praticados com o uso da internet de um escritório de advocacia.

Ações conjuntas e nota do MP

        Por envolverem suspeitos integrantes da Polícia Civil e da Polícia Penal, participaram da operação as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal, além da Comissão de Prerrogativas da OAB (especificamente para as buscas em escritório de advocacia).

        Em nota, o Ministério Público afirmou:

Todos os fatos estão sob apuração no Gaeco e o apoio das Polícias Militar, Civil e Penal demonstra que as instituições estão trabalhando em conjunto para a depuração de seus quadros, garantindo que a sociedade sempre tenha à disposição um serviço público eficiente, contínuo e transparente.”

(Fonte: Gazeta Brasil)