Pensar como Churchill e agir como Patton

Por: (*) João Ulysses Laudissi

        Muitas empresas acreditam que o segredo do sucesso está em elaborar um excelente planejamento estratégico. Reúnem seus dirigentes, definem metas, produzem relatórios e apresentam projetos para os próximos anos. Tudo isso é importante. O problema é que um bom plano, sozinho, não produz resultados.

        Existe um velho ensinamento da administração que continua atual: estratégia sem execução é apenas intenção. Essa ideia pode ser compreendida observando dois personagens marcantes da história do século XX: Winston Churchill e George S. Patton. Churchill (1874–1965) foi primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial. Quando assumiu o governo, seu país enfrentava um dos momentos mais difíceis de sua história. Mesmo diante de enormes dificuldades, conseguiu manter a população unida e confiante. Seu maior mérito foi mostrar um caminho claro, definir objetivos e convencer as pessoas de que valia a pena continuar lutando. Em outras palavras, Churchill sabia para onde queria levar seu país.

        Já George S. Patton (1885–1945) era um general norte-americano conhecido por outro motivo. Enquanto Churchill se destacava pela visão e pela capacidade de inspirar pessoas, Patton era reconhecido pela ação. Defendia que decisões precisavam ser colocadas em prática rapidamente, pois um bom plano executado hoje costuma produzir resultados melhores do que um plano perfeito executado tarde demais.

        Os dois tinham estilos completamente diferentes, mas suas qualidades se completavam. Churchill ensinava a importância de definir o rumo. Patton mostrava que, depois de escolher o caminho, era preciso caminhar. Essa também é uma das maiores lições para as empresas. O mercado muda o tempo todo.

        Novas tecnologias surgem, os consumidores mudam seus hábitos e a concorrência aumenta a cada ano. Nesse ambiente, não basta ter boas ideias. É preciso transformá-las em ações. Mas existe outro detalhe que costuma passar despercebido. Muitas vezes, os problemas de uma empresa não acontecem porque as pessoas trabalham pouco ou se esforçam menos do que deveriam.

        Na maioria das vezes, os resultados insatisfatórios surgem porque as atividades são executadas na ordem errada, as prioridades não estão bem definidas ou falta compreensão do contexto em que as decisões são tomadas.

        Uma boa comparação vem da matemática. Na escola aprendemos que uma conta só chega ao resultado correto quando seguimos a ordem das operações, conhecida pela sigla PEMDAS. Primeiro resolvemos os parênteses, depois os expoentes, em seguida multiplicações e divisões e, somente ao final, adições e subtrações. Se invertermos essa sequência, mesmo fazendo todos os cálculos corretamente, o resultado será errado.

        Nas empresas acontece exatamente a mesma coisa. Não basta trabalhar muito. É preciso fazer primeiro aquilo que realmente importa. Liderar é estabelecer prioridades, organizar a sequência das ações e garantir que todos compreendam o que deve ser feito antes e o que pode esperar. Em outras palavras, liderança é saber o que vem primeiro.

        Estratégia significa justamente isso: escolher prioridades. É decidir onde investir, quais projetos merecem atenção e quais devem ser deixados de lado.

        Nenhuma empresa consegue fazer tudo ao mesmo tempo.

        Depois dessas escolhas, começa a parte mais difícil: executar. É na execução que aparecem os desafios. Os prazos precisam ser cumpridos, os problemas precisam ser resolvidos e cada colaborador deve entender qual é sua responsabilidade. Sem organização, disciplina e acompanhamento, qualquer planejamento corre o risco de ficar apenas no papel.   

        Esse é um erro bastante comum. Muitas empresas passam meses preparando um planejamento estratégico e, pouco tempo depois, voltam à rotina de sempre.

        As prioridades mudam a todo instante, novos projetos aparecem sem critério e o plano acaba esquecido em uma gaveta ou perdido em algum arquivo do computador.

        Empresas de sucesso fazem exatamente o contrário. Elas mantêm seus objetivos bem definidos, acompanham os resultados, corrigem os erros quando necessário e seguem em frente sem perder o foco.   

        Isso não significa que tudo aconteça sem dificuldades. Mudanças exigem esforço. Surgem obstáculos, imprevistos e momentos de pressão. Mas esses desafios fazem parte do processo de crescimento. O importante é não perder a direção nem desistir diante dos primeiros problemas.

        Talvez a maior qualidade de um bom líder seja reunir as características desses dois personagens históricos.

        Pensar como Churchill, definindo um rumo claro para a organização, e agir como Patton, transformando decisões em ações concretas. Essa combinação vale para empresas de qualquer tamanho. Também vale para escolas, hospitais, entidades sociais e até para projetos pessoais. Afinal, saber onde se quer chegar é fundamental. Mas somente quem começa a caminhar consegue alcançar o destino.

        No final, a lição é simples e continua atual: uma boa estratégia mostra o caminho; uma boa execução faz a caminhada acontecer. E, antes mesmo de executar, existe uma responsabilidade que cabe exclusivamente à liderança: decidir a ordem correta das prioridades. Afinal, assim como na matemática, não é apenas o esforço que determina o resultado, mas a sequência em que cada passo é dado.

(*) – Engenheiro